Artigo Pr. Solon.docx (125601)

Esclarecimento inicial

Por muitos anos convivi com a doutrina do “fogo pentecostal”. Em certo sentido, esse fogo tão almejado pelos pentecostais é algo que “pega” com facilidade. Basta uma única centelha em material inflamável, a exemplo da palha, e o fogo se espalha. Isso mesmo! Na palha, o fogo se espalha!

A partir da reflexão sobre um único versículo bíblico, percebi que a “doutrina” que relaciona o fogo ao enchimento do Espírito Santo, ou a suas manifestações mais pitorescas, merecia maior investigação. Então, para debelar minhas dúvidas, comecei a ler todos os versículos bíblicos que continham a palavra “fogo”. Quanto mais eu lia, mais eu me distanciava das práticas e dos conceitos aprendidos sobre o “fogo pentecostal”. Mas, por que eu não tinha visto isso antes? Por que essas coisas me estavam ocultas? Na verdade, não estavam. Eu só não via porque não estava olhando na direção certa. Como eu só olhava para onde a maioria estava olhando, eu só via o que eles também viam.

Mas, ao me permitir olhar em outra direção, vi o que não via antes. Evidentemente, quis mostrar o que eu via para algumas outras pessoas. Curiosamente, percebi que elas simplesmente não queriam desviar seus olhares do que estavam acostumados a ver. Afinal, por que mexer no que está funcionando bem? Se as pessoas estão felizes com seus conceitos e doutrinas, não seria melhor deixa-las em paz?

Confesso que cheguei a pensar o mesmo, pois esse tipo de “fogo pentecostal” não me incomodava em nada. Os que o invocavam estavam felizes e era isso o que importava. Como eu não via prejuízos nessa crença, decidi não expor minha percepção sobre o assunto. Isso apenas iria afetar meus bons relacionamentos com o grupo de crentes ao meu redor e eu não queria sofrer esse desgaste.

Entretanto, com o passar dos anos, minhas crenças e opiniões acerca de coisas mais relevantes foram me expelindo do grupo com o qual eu comungava. Cheguei ao ponto de ficar quase isolado. Minhas palavras passaram a não ter mais valor e minhas considerações começaram a ser desprezadas solenemente.

Certamente, essa foi a circunstância que me motivou a escrever este estudo. Uma vez que minhas percepções não afetavam mais as pessoas que estavam ao meu redor, senti-me livre para expor meu entendimento sobre o assunto que ora apresento: “fogo de Deus”.

O propósito desta reflexão não é atacar meus amigos pentecostais, os quais tenho em alta estima. Apenas quero deixar registrado meu pensamento sem qualquer intenção de promover debates, pois respeito quem pensa de modo diverso. 

Por: Pastor Sólon Lopes Pereira